Moradores divulgam vídeos de corpos sendo manipulados a céu aberto no Cemitério Municipal

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Imagens registradas no entorno do local geraram indignação e questionamentos sobre os procedimentos realizados nas proximidades dos jazigos; Prefeitura não respondeu aos questionamentos

(Reprodução/Redes Sociais)

Vídeos registrados por moradores do entorno do Cemitério Municipal, chamaram atenção para procedimentos envolvendo cadáveres realizados nas proximidades dos jazigos.

As imagens mostram profissionais utilizando jalecos, luvas e máscaras durante a manipulação de corpos — em uma das gravações, é possível observar um procedimento envolvendo a retirada de parte da perna de um cadáver. Também aparecem veículos de transporte funerário estacionados próximos aos túmulos, que, segundo moradores, acabam sendo improvisados como superfície de trabalho.

A situação provocou indignação entre os moradores da região, que questionam as condições em que os procedimentos estariam sendo realizados.

Moradores relatam preocupação

Segundo apurou o BHAZ, moradores que vivem nas proximidades afirmam que os procedimentos ocorrem em uma área próxima a residências e espaços de convivência — o entorno do cemitério inclui uma creche, uma igreja e uma praça pública com brinquedos, o que aumenta a preocupação da comunidade diante da exposição das atividades.

Os moradores questionam se os procedimentos registrados nas imagens seriam necropsias realizadas fora da estrutura adequada do Instituto Médico-Legal (IML).

IML afirma que imagens mostram exumações

Um auxiliar do médico-legista do IML de Teófilo Otoni afirmou que os procedimentos registrados nas imagens seriam exumações, e não necropsias. Segundo o profissional, durante uma exumação o corpo é retirado do jazigo e o procedimento pode ocorrer ao lado da sepultura — ele negou que necropsias sejam realizadas sobre os túmulos.

Polícia Civil explica funcionamento

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que os exames cadavéricos realizados em Teófilo Otoni são executados exclusivamente por médicos-legistas oficiais, com acompanhamento técnico de auxiliares de necropsia. A corporação também confirmou que o Instituto Médico-Legal funciona junto ao Cemitério Municipal.

De acordo com a PCMG, em situações de maior complexidade — ou quando ocorre um evento com múltiplas vítimas fatais que ultrapasse a infraestrutura e a capacidade de resposta da unidade local —, uma força-tarefa de apoio pode ser acionada. Nesses casos excepcionais, segundo a corporação, podem ser utilizadas estruturas provisórias adaptadas para a realização dos exames, seguindo os padrões técnicos necessários para identificação e análise dos corpos.

O que dizem as normas técnicas

A manipulação de cadáveres a céu aberto levanta questionamentos à luz de normas técnicas e sanitárias em vigor no país. A Resolução SES/MG nº 4.798/2015 e a RDC nº 50/2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), classificam salas de necropsia como ambientes que exigem estrutura fechada e isolada, com condições específicas de biossegurança — parâmetros que, segundo moradores, não estariam sendo observados nos procedimentos registrados em vídeo.

Prefeitura não respondeu aos questionamentos

A Prefeitura de Teófilo Otoni, responsável pela gestão e manutenção do Cemitério Municipal e pela fiscalização dos serviços funerários locais, foi procurada pela imprensa para esclarecer a situação, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. A Polícia Civil orienta que eventuais denúncias sobre condutas operacionais sejam formalizadas para apuração interna.

O que mostram as imagens

As gravações que motivaram a denúncia mostram profissionais trabalhando com equipamentos de proteção individual e cadáveres posicionados nas proximidades dos jazigos. Embora moradores tenham levantado a possibilidade de que se tratasse de necropsias realizadas de maneira inadequada, não há confirmação, nas informações divulgadas até o momento, de que os procedimentos registrados sejam necropsias irregulares.

A versão apresentada pelo IML é de que as imagens correspondem a procedimentos de exumação, enquanto a PCMG explicou que, em circunstâncias excepcionais, estruturas provisórias podem ser utilizadas para exames cadavéricos. A situação, no entanto, levantou questionamentos entre moradores sobre a estrutura disponível no local e sobre as condições em que procedimentos envolvendo cadáveres são realizados em uma área cercada por residências e equipamentos de uso comunitário.

O caso deve continuar sendo acompanhado, especialmente diante da necessidade de esclarecimento sobre os procedimentos registrados nas imagens, sobre as condições de funcionamento da estrutura médico-legal existente junto ao cemitério e sobre um eventual posicionamento da Prefeitura.

O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal.

Com informações do BHAZ.

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