Minas Gerais lança “Maria Mineira”, ferramenta de apoio a mulheres vítimas de violência

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Nova funcionalidade será integrada ao MG App; segunda etapa, prevista para dezembro, deve permitir alertas sobre aproximação de agressores com medida protetiva

Foto – Freepik

O Governo de Minas Gerais anunciou uma nova ferramenta digital voltada à proteção e ao atendimento de mulheres vítimas de violência. Batizada de Maria Mineira, a plataforma será integrada ao MG App, aplicativo oficial do Estado, e vai reunir informações sobre os serviços de acolhimento, orientação e proteção disponíveis em todo o território mineiro.

A iniciativa foi desenvolvida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e tem como objetivo concentrar em um único ambiente digital informações hoje distribuídas entre diferentes serviços — facilitando o caminho percorrido pela mulher que precisa de ajuda.

Na primeira etapa, 176 pontos de atendimento já foram mapeados e disponibilizados na ferramenta. A previsão do governo estadual é ampliar a cobertura até alcançar os 853 municípios mineiros até o fim de setembro.

Ferramenta pretende facilitar a busca por ajuda

A proposta é permitir que a mulher identifique rapidamente qual serviço deve procurar, onde está o atendimento mais próximo e que tipo de assistência é oferecido em cada unidade — reduzindo uma das principais dificuldades enfrentadas por vítimas de violência: saber onde buscar ajuda diante de uma situação de risco.

O governador Mateus Simões destacou que o objetivo é tornar esse primeiro contato com a rede de proteção mais simples e acessível, estimulando a procura por atendimento antes que situações de violência evoluam para episódios mais graves.

Tecnologia poderá alertar sobre aproximação do agressor

Uma segunda etapa do projeto está prevista para dezembro e deve ampliar o uso da tecnologia na proteção das vítimas, com a implantação de um sistema de cercamento digital capaz de identificar a aproximação de um agressor submetido a medida protetiva — alertando tanto a mulher quanto as forças de segurança.

Atualmente, o monitoramento eletrônico já estabelece áreas que o agressor está proibido de frequentar. Com a nova tecnologia, a intenção é acrescentar uma camada extra de proteção, capaz de identificar uma aproximação indevida antes mesmo que a vítima perceba a presença do agressor. O mecanismo ainda está em desenvolvimento, e seu funcionamento efetivo dependerá da conclusão da etapa tecnológica e da integração com os sistemas de segurança pública.

Dados reforçam importância da prevenção

O lançamento ocorre em um cenário de preocupação com a violência contra as mulheres em Minas Gerais. Dados apresentados pelas autoridades indicam que cerca de 85% das vítimas de feminicídio consumado no estado não tinham medida protetiva antes da morte — percentual também citado em levantamentos do Ministério Público de Minas Gerais e em ações recentes das forças de segurança.

O número reforça a importância de ampliar o acesso à informação e estimular as vítimas a procurar a rede de proteção diante dos primeiros sinais de violência. A medida protetiva de urgência é um dos principais instrumentos previstos na Lei Maria da Penha — dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que, nos 12 meses encerrados em maio de 2026, 85% das primeiras respostas judiciais a pedidos de medidas protetivas ocorreram em até 24 horas.

Rede de proteção mais acessível

O Maria Mineira foi concebido para funcionar como uma espécie de porta de entrada digital para a rede de proteção, reunindo informações que ajudem a mulher a encontrar serviços de segurança, assistência e acolhimento de acordo com a situação enfrentada. A ferramenta deve ser especialmente relevante nos municípios que ainda não possuem estruturas especializadas, permitindo localizar os serviços disponíveis em cada região.

O Governo de Minas também discute outras iniciativas relacionadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo projetos voltados à inserção das vítimas no mercado de trabalho e ao uso de inteligência artificial para apoiar investigações da Polícia Civil em municípios sem delegacias especializadas.

Proteção antes que a violência chegue ao extremo

A lógica da nova ferramenta é direta: facilitar o acesso à informação, aproximar a vítima dos serviços públicos e, em uma etapa posterior, usar a tecnologia para antecipar situações de risco. Para o Estado, a expectativa é que mais mulheres conheçam os caminhos disponíveis e busquem ajuda antes que a violência alcance níveis ainda mais graves.

O Maria Mineira deve começar a ser disponibilizado no MG App com a rede inicialmente cadastrada, com cobertura ampliada progressivamente até alcançar os municípios de todo o estado.

Por Raissa Yelena, com informações do Governo de Minas Gerais, MPMG e fontes jornalísticas.

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