Mineira morre nos Estados Unidos após salvar menina de 9 anos de afogamento; família faz vaquinha

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Priscila Álvares Pereira dos Santos, de 33 anos, conseguiu empurrar a criança em direção à margem, mas desapareceu nas águas do Rio Delaware; corpo foi encontrado no dia em que ela completaria 34 anos

Uma mineira de 33 anos morreu afogada após entrar no Rio Delaware, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, para tentar salvar uma menina de 9 anos que estava se afogando. Priscila Álvares Pereira dos Santos conseguiu alcançar a criança e empurrá-la em direção à margem, onde outras pessoas conseguiram retirá-la da água. A brasileira, porém, submergiu novamente e não conseguiu retornar.

O caso aconteceu na tarde de segunda-feira (24), no Amico Island Park, em Delran, Nova Jersey. Segundo o Departamento de Polícia local, equipes de emergência foram acionadas por volta das 16h após relatos de duas possíveis vítimas de afogamento. Ao chegarem ao local, os socorristas constataram que uma mulher havia entrado no rio para tentar resgatar uma criança que enfrentava dificuldades na água.

Segundo o marido de Priscila, Alex Cândido do Nascimento, a menina resgatada fazia parte do círculo próximo da família. Durante a tentativa de resgate, Priscila conseguiu empurrá-la para perto da margem, onde outras pessoas presentes a retiraram da água em segurança. Pouco depois, a mineira desapareceu nas águas.

Buscas mobilizaram várias equipes

As buscas por Priscila começaram ainda na tarde de segunda-feira e envolveram bombeiros, policiais, equipes de mergulho e apoio aéreo da região. Os trabalhos foram interrompidos por volta das 21h45 e retomados na manhã de terça-feira (25). Por volta das 8h15, o corpo foi localizado a cerca de seis metros da margem do Rio Delaware — justamente no dia em que Priscila completaria 34 anos.

O chefe da Polícia de Delran, Matt Gasper, classificou a brasileira como uma heroína que perdeu a vida ao salvar uma criança. Segundo as autoridades locais, as circunstâncias da morte não são consideradas suspeitas, e o caso segue sob análise do médico-legista do Condado de Burlington.

Mineira vivia nos Estados Unidos havia cerca de cinco anos

Natural de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Priscila havia se mudado para os Estados Unidos havia aproximadamente cinco anos. Ela vivia em Delran com o marido, Alex Cândido do Nascimento, também mineiro, e os dois filhos do casal, de 9 e 3 anos — o caçula é autista não verbal e demandava cuidados diários intensos da mãe.

A família havia deixado o Brasil em busca de melhores condições de vida. Priscila trabalhava com limpeza de casas, enquanto o marido atua com entregas postais. Amigos a descreveram como uma mulher alegre, forte, generosa e sempre disposta a ajudar.

O Rio Delaware fazia parte da rotina da família e da comunidade de brasileiros da região, usado com frequência em momentos de lazer. Segundo o irmão de Priscila, Pablo, ela havia sido batizada no mesmo rio cerca de dois meses antes da tragédia, em uma cerimônia ligada à igreja que passou a frequentar. O parque onde ocorreu o acidente possui restrições para banho, e placas no local alertam sobre profundidade irregular, correnteza e mudanças provocadas pela maré.

Família busca apoio para traslado e cuidados com os filhos

Após a morte, a família entrou em contato com o Consulado-Geral do Brasil em Nova York, que informou poder auxiliar na emissão da certidão de óbito e na repatriação, mas não custeia o traslado do corpo. Diante disso, familiares e amigos iniciaram uma campanha de arrecadação, com autorização da família, para ajudar o marido e os dois filhos de Priscila.

A mobilização tem como meta inicial arrecadar US$ 55 mil. Até esta sexta-feira (28), a campanha já havia ultrapassado US$ 35 mil, cerca de 65% do valor pretendido. Os recursos devem cobrir despesas com funeral e traslado do corpo ao Brasil, além de auxílio com aluguel, alimentação, perda temporária de renda, cuidados com as crianças — incluindo o suporte especializado que o filho mais novo, autista, já recebia — e despesas futuras da família.

Um gesto que terminou em tragédia

A história de Priscila ganhou repercussão entre brasileiros nos Estados Unidos e no Brasil. Ela entrou no rio ao perceber que a criança estava em perigo e conseguiu ajudá-la a chegar à margem — um gesto que terminou de forma trágica para a mineira, morta justamente no dia em que completaria 34 anos.

A menina de 9 anos sobreviveu ao episódio; sua identidade não foi divulgada pelas autoridades. A família de Priscila agora busca apoio para enfrentar os custos decorrentes da morte e reorganizar a rotina dos dois filhos que ela deixou.

A campanha de arrecadação continua aberta, e os familiares pedem ajuda para garantir o traslado do corpo ao Brasil e oferecer suporte às crianças durante o período de luto e adaptação.

  • Por Raissa Yelena com informações de Itamaraty

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