Catadores relatam problemas em prensas, acúmulo de materiais recicláveis e dificuldades financeiras; associação afirma que situação ameaça continuidade das atividades

A Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis Nova Vida (ASCANOVI), de Teófilo Otoni, enfrenta dificuldades que, segundo os trabalhadores, já comprometem o funcionamento da entidade e a renda de 13 associados.
Em vídeo divulgado pelos próprios catadores, os trabalhadores fazem um apelo por apoio e cobram providências do poder público diante dos problemas enfrentados no galpão onde são realizadas as atividades de recebimento, separação, prensagem e comercialização dos materiais recicláveis.
Segundo os relatos, o principal problema está relacionado às prensas usadas para compactar os materiais. Atualmente, apenas uma máquina estaria funcionando — ainda assim, de forma considerada precária pelos associados.
Prensas apresentam problemas
De acordo com os trabalhadores, a prensa que permanece em funcionamento já precisou passar por reparos pagos com recursos do próprio caixa da associação. Um dos associados relata que o equipamento já foi consertado duas ou três vezes, mas voltou a apresentar falhas — uma delas, segundo o relato, chegou a colocar um trabalhador em risco de acidente durante a operação da máquina.
Outra prensa teria sido encaminhada para manutenção com apoio da Prefeitura de Teófilo Otoni. O custo estimado do reparo seria de aproximadamente R$ 7 mil, mas, segundo os trabalhadores, o serviço ainda não foi concluído. Sem as máquinas em condições adequadas, a capacidade de processamento dos materiais diminuiu.
Recicláveis se acumulam no galpão
A paralisação parcial das prensas também estaria provocando o acúmulo de materiais dentro do galpão. Segundo os associados, o espaço está praticamente cheio, com resíduos chegando até a entrada do imóvel — o que dificulta a circulação e o trabalho dos catadores e aumenta a preocupação com a segurança do local.
Os trabalhadores afirmam que a associação está há cerca de dois meses sem conseguir despachar uma carga de materiais recicláveis, o que reduz diretamente a entrada de recursos e compromete o pagamento dos associados.
Famílias dependem da renda da reciclagem
Atualmente, a ASCANOVI conta com 13 integrantes, que dependem diretamente das atividades de coleta, triagem, prensagem e venda dos materiais. No vídeo, os trabalhadores relatam dificuldades financeiras provocadas pela queda na renda — entre os problemas mencionados estão atrasos no pagamento do aluguel, dificuldade para comprar alimentos e necessidade de recorrer a empréstimos informais.
“Tem família com filhos pequenos, que precisa de leite, comida e pão”, relata um dos trabalhadores no vídeo.
Para os associados, a situação deixou de ser apenas um problema de funcionamento das máquinas e passou a afetar diretamente a sobrevivência das famílias que dependem da atividade.
Serviço ambiental prestado ao município
Além da geração de renda para os catadores, o trabalho da ASCANOVI tem impacto direto na gestão de resíduos de Teófilo Otoni. A coleta e a separação de materiais recicláveis contribuem para reduzir o volume de resíduos encaminhados à destinação final, além de possibilitar o reaproveitamento de papel, papelão, plástico, metal e outros produtos. Por isso, a paralisação ou redução das atividades da associação também pode impactar a própria cadeia de reciclagem do município.
Catadores cobram solução
Diante do cenário, os trabalhadores pedem uma resposta da administração municipal e apontam como prioridade o conserto ou a substituição das prensas. A preocupação é que a manutenção dos problemas provoque novos acúmulos de materiais, reduza ainda mais a capacidade de comercialização e agrave a situação financeira dos associados — que defendem que uma solução seja encontrada com urgência, considerando tanto a renda das famílias quanto o serviço ambiental prestado pela associação.
- Colaborou Raissa Yelena









